Thiago de Mello é um poeta brasileiro considerado como um ícone da literatura nacional e regional. Nascido no Estado do Amazonas em 30 de Março de 1926, tem como obra mais conhecida o poema Estatuto do Homem, escrito por ele durante o seu exílio no Chile durante a ditadura (1964-1985). Este poema fala sobre como deverá ser os valores do homem e sua relação com a natureza a partir de do "decreto" desse novo estatuto
ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Já declarei diversas vezes o meu amor pela a música, mas hoje ao invés de declarar mais uma vez o meu amor por essa arte, quero manifestar o meu protesto de pura indignação e descontentamento com a música, como apenas um objeto de comércio. Foi -se o tempo em que havia musica boa e de qualidade em todos os sentidos, somos a cada dia intoxicados por essa poluição sonora que muitos ousam chamar de música.
O meu descontentamento maior vem da música nacional, que já foi de ótima qualidade, hoje somos inundados por essa porcaria generalizada. Umas das vertentes que mais se perdeu com essa banalização da nossa música foi o rock´n roll, esses novo modo de se fazer "Rock" não condiz em nada com o verdadeiro Rock, emos o tal do happy rock e companhia estão arrastado o nome desse gênero musical, que eu tanto amo e me identifico, na lama.
Tenho certeza que os grandes nomes do rock nacional, que já não se encontram mas entre nós fisicamente, estão se debatendo em seu túmulos. Foi o tempo em que o rock nacional era algo gostoso e prazeroso de se ouvir, onde os cações tinham letras de qualidade letras poéticas que falavam de política, sociedade, juventude... Amor, um amor puro poético e verdadeiro e não esse amor banal, de dor de cotovelo e dor de corno, que essas novas vertentes tratam em suas letras.
Em fim aqui está o meu manifesto a favor da boa música, pois sei que ela não morreu, apenas está adormecida e perdida por ai.
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